N motivos pelos quais o LIVRE está preso

Há cem anos a Europa mergulhou na primeira guerra de um século trágico.

Foi o século do nascimento de todos os políticos portugueses.

Portugal não ficou imune a essa história.

Não. Nasceram os políticos portugueses.

Hoje a Europa arrisca-se a falhar na sua promessa de prosperidade partilhada, democracia e direitos fundamentais para todos.

Isto não se aguenta.

Portugal não ficará imune a tal falhanço.

A gente tem visto.

Esta é uma história que responsabiliza todos os cidadãos.

A mim não, lamento.

É na consciência das difíceis escolhas que esta crise nos coloca que decidimos fundar um partido político assente nos quatro pilares das liberdades e direitos cívicos; da igualdade e da justiça social; do aprofundamento da democracia em Portugal e da construção de uma democracia europeia; e da ecologia, sustentabilidade e respeito pelo meio ambiente.

Isso são (pelo menos) cinco.

Iniciamos este percurso com três objetivos principais, comuns a muitos outros cidadãos portugueses.

Vamos ver se é o meu caso.

Em primeiro lugar, libertar Portugal da dependência financeira e do subdesenvolvimento económico e social.

Voltar ao escudo e deixar de ir de férias para Espanha. Passo.

Em segundo lugar, traçar um modelo de desenvolvimento para o país assente na valorização das pessoas, do conhecimento e do território.

Isto não sei o que quer dizer.

Em terceiro lugar, cumprir com estes objetivos através de um profundo processo de democratização e de maior inclusão dos cidadãos na ação e representação política.

O terceiro objectivo é cumprir os objectivos. Boa ideia.

Afirmamos como nossos princípios:

Nossos no sentido inclusivo, claro.

Universalismo. Entendemos como universais os direitos humanos, tanto na sua dimensão civil e política, como económica, social, cultural e ambiental.

Portanto, os direitos humanos.

Defendemos estes direitos sem quaisquer exceções, sejam elas por conveniências táticas, proximidades políticas ou afinidades ideológicas. Deve ser também universal o acesso às provisões públicas na saúde, na educação, e na segurança social.

Portanto, tudo grátis.

Liberdade. Como autonomia pessoal, realização de potencial humano e desenvolvimento coletivo, a Liberdade é o ponto de partida da nossa prática partidária, mas também o ponto de chegada da nossa prática política.

Então já lá estão. Fixe.

Igualdade. Preconizamos não só a igualdade perante a lei ou a igualdade de oportunidades, mas também a equidade na distribuição de recursos e a equalização progressiva de possibilidades e condições de vida.

Estou a precisar de um carro novo. Mandem aí.

Entendemos a igualdade como uma das características necessárias ao desenvolvimento económico e social de uma sociedade, em particular no caso português, sobre o qual as desigualdades têm trazido enormes custos.

Também acho. Por exemplo, eu sempre quis ter um Porsche e há quem tenha.

Solidariedade, ou fraternidade. A solidariedade é a materialização de um sentimento de irmandade em melhorias concretas na condição de vida dos nossos concidadãos, em particular dos que estão em situação de maior vulnerabilidade ou dependência. O objetivo da solidariedade é a correção das injustiças económicas e sociais.

É muito injusto. Eu, por exemplo, sinto-me vulnerável e dependente. Sinto-me também injustiçado economica e socialmente, sem o prestígio e o dinheiro que um cargo de eurodeputado me poderia trazer, caso fossemos todos iguais e fraternos, sem nos sujeitarmos a votos arbitrários.

Socialismo, no sentido de recusa da mercantilização das pessoas, do trabalho e da natureza, e no sentido de que seja conferida ao estado a garantia de aplicação dos princípios de universalidade, liberdade e igualdade de oportunidades.

Isto satisfaz-me. As pessoas não podem ser mercantilizadas. Ninguém deveria receber menos que um eurodeputado.

Embora a ação governativa ou estatal seja crucial na criação de uma economia mista, em geral com três setores (privado, público e associativo/cooperativo), o nosso socialismo não é um estatismo.

Não? Mas como manter o sector público?

Ecologia. Todas as ideologias e ambições políticas devem encontrar os seus limites na realidade concreta, física, da natureza.

Também acho. Se bem que o meu desejo de universalidade em voar é oprimido pelos limites da realidade concreta, física, da natureza.

O nosso entendimento da ecologia política inclui a promoção de uma cultura de sustentabilidade, respeito pela natureza, razoabilidade na utilização de recursos, e prolongamento do bem-estar natural para as gerações futuras.

E propriedade privada?

Europeísmo. Depois das grandes tragédias do século XX, a realização de uma democracia europeia continua a ser um dos grandes desafios do tempo presente, não como projeto de competição com outras regiões do mundo, mas como experiência de expansão da soberania, criação de uma democracia transnacional, desenvolvimento do direito internacional e defesa dos direitos humanos.

Já há. Fixe! Mais um objectivo concretizado.

O nosso lugar é no meio da esquerda.

Isto é limitativo e viola o princípio de universalidade.

Entendemos como nosso dever a procura e a realização de convergências abertas, claras e transparentes, para criar uma maioria progressista capaz de criar uma alternativa política em Portugal e na Europa.

Desta é que é. E que tal a criação da internacional masculina? Isso fomentaria a universalidade.

Iniciamos este caminho tendo em mente que Portugal ainda não viveu mais tempo de democracia do que aquele que teve de ditadura.

Há aí problemas com as contas. Ora, para um esquerdista republicano, isto dá (1926–1910)+(2013–1974)=55.

Damo-nos como missão

Não dêem.

contribuir para que no momento feliz em que tivermos mais dias de liberdade do que tivemos de opressão,

Ora, já há.

possamos olhar para o caminho que fizemos em conjunto e ver a permanente concretização de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

É, funcionou muito bem.