A casa lisboeta

Há uma casa em Lisboa por onde passam todos os que querem ser aprovados para a tarefa patriótica que consiste em tratar os portugueses como gado. No seu interior, a sopeira-alcoviteira aparenta imunidade ao alho enquanto ajusta o vibrador anal em forma de crucifixo, uma recordação dos tempos áureos a entreter homens de negócios no Mediterrâneo e utensílio que serve para manter em forma a mucosa emissora de opinião. Sempre desejou ser Natália, transcender a mera Cornélia que há em si, por muito que não lhe reconheçam uma existência superior ao servilismo do canal por onde o veterinário enfia o braço. Todos tentam demonstrar que a reverenciam, o que fazem por obrigação: antes uma vida dedicada ao putedo com o ocasional bife que a pasmaceira retrógrada dedicada à continuação da espécie. Está seca por dentro e começa a secar por fora, como qualquer ameixa amarga fora de prazo. O cérebro, que abanou em demasia nos anos 80 sem o devido capacete, agora debilitado pela corrosão da sífilis progressista, já só serve a segunda linha de rameiras, as que ambicionam chegar a ser putas para as putas.

Os convivas vão mudando, ao sabor da disponibilidade de novos gays tenrinhos e trapalhões, apesar do negócio definhar, que a crise atinge todos. Não vai deixar descendência. As mamas descaem, reforçando o ímpeto de sequiosos por maternal aceitação, a que não conseguiram com as mães de sangue, embaraçadas pela culpa do fracasso. Este é um negócio que termina em breve, com a menopausa, ou pouco depois. E, para já, vamos aguentando, que o circo entretém. É que nem é triste: é só o que é. Se passarem por lá, por essa casa em Lisboa que tanto atrai jovens da província em busca de aprovação, digam alguma coisa, a bem da preservação do turismo etnográfico da Metrópole.

Aviso aos syrizas

Têm 28 dias para poderem apagar os posts pró-Syriza.

Método de comparação internacional anotado

Isto pode ficar um bocadinho maluco, por isso, leia por sua conta e risco:

A história ainda popular sobre a crise portuguesa e europeia do euro, cheia de vida desde 2008, baseia-se em imagens ou alegorias acessíveis a todos os que não entendem de economia ou que não querem gastar o seu precioso tempo, com toda a legitimidade, para a entender.

Franqueza só lhe fica bem.

Muitas pessoas com cursos de economia, alguns tirados há décadas atrás, ganharam legitimidade junto da opinião pública e ajudam a popularizar essa história.

Idem.

É a história do “viver acima das possibilidades” e da “austeridade virtuosa”.

Hein? Tal não é possível, certo? “Viver acima das possibilidades”. É uma imaterialidade; é sempre possível viver abaixo das possibilidades, nunca acima.

A história que equipara uma economia nacional a uma economia caseira.

Hum? Praticante de “austeridade virtuosa” no seu lar?

Nas salas de aula de Economia, todavia, estas histórias não passam.

Isso é grave. Significa que há demasiados socialistas a doutrinar nas aulas de Economia. Ergo, não é uma ciência.

Em Economia Internacional, o viver acima das possibilidades é um saldo negativo da balança de transacções correntes e o que aconteceu desde 2008 foi uma paragem brusca do acesso do Estado, das famílias e das empresas, ao crédito externo.

Mas não vamos comparar com economia doméstica, OK? Vamos lá riscar as famílias e as empresas daí, que foi um pequeno lapso.

Em Crescimento Económico, austeridade virtuosa é uma entre dezenas de teorias de crescimento, e das mais velhas.

“Crescimento Económico”? Com capitalização? É uma disciplina nas aulas de Economia onde “estas histórias não passam”? Podemos elaborar em que consiste essa velha teoria neste admirável mundo novo?

Em História Económica, o combate a saldos externos negativos através de políticas de austeridade foram a origem da passagem do crash de Nova Iorque de 1929 à Grande Depressão, sendo que a solução desta passou pelo abandono da austeridade.

Ai foi?

Há conhecimentos que se ganham e hoje sabemos mais do que ontem.

Nem todos.

Mas é sempre fácil ultrapassar os conhecimentos com a repetição de frases feitas.

Como “austeridade virtuosa”?

Como mudar isto?

Pois. Como?

Vai ser difícil e, como se viu no post anterior a este, o problema não é só português.

Oh… Vamos mudar também o Burkina Faso.

Há um largo caminho a percorrer.

Longuíssimo. Mais que uma legislatura, talvez.

Todavia, há um primeiro passo a dar, que é o de começar a falar de outra maneira.

OK, alinho.

É preciso ter bem consciente que a narrativa popular se funda em termos cuja utilização a perpetuam.

Chama-se “língua portuguesa”. É uma das velhas.

Por exemplo, a divisão entre transaccionáveis e o seu oposto, faz parte dessa história simples, assim como tudo o que divide a economia em duas e apenas duas variáveis.

Recordemos que “é sempre fácil ultrapassar os conhecimentos com a repetição de frases feitas”.

Abandone-se, portanto, tudo o que seja dicotómico.

Abandonado. Decrete-se.

Outros exemplos: mercado de trabalho não é nada, fale-se de empresas e trabalhadores;

Isso não é dicotómico?

investimento produtivo não diz nada, fale-se de empresas e investimento;

Ah, dicotómico é bom.

crescimento não diz nada, fale-se de crescimento e emprego;

Por falar nisso… Pronto, percebi: está estabelecida a causalidade. Ainda bem que frequentei as aulas de Economia das boas.

emprego não chega, fale-se de emprego e formação profissional;

Já percebemos.

economia é pouco, fale-se de economia e sociedade.

Por oposição à economia sociopata.

E por aí adiante, ao gosto do freguês.

Eu é mais método de comparação internacional.

E pense-se também se se devem fazer reuniões com “economistas” ou com “conselheiros” para as questões económicas e sociais.

Como aquela em que o caro professor esteve na semana passada?

Finalmente, desvalorize-se o Orçamento de Estado que, sobretudo, não deve ser razão para eleições antecipadas (que, então, deverão ser justificadas por razões políticas relevantes).

Boa ideia: sugiro eleições anuais antes de cada Orçamento de Estado.

Virar a página significa, neste caso, mudar de linguagem, e muito.

Creio que beneficiará, e muito, o seu caso. Sugiro que tente Português.

Isamor, Isamor, que fizeste à tua vida, filhota?

Isabel (à esquerda). Foto Vip.pt

Isabel (à esquerda). Foto Vip.pt

O que leva Isabel Moreira, ex-aluna do Colégio Mira Rio, dos 3 aos 14 anos, a escrever no Expresso, além da facilidade que o jornal tem para albergar no seu seio empresarial os maiores tolos que criticam o capitalismo enquanto dele se alimentam, quem sabe se para os ter debaixo de olho, que “o ataque à escola pública, esse elevador social que Abril lançou, começou cedo”, sendo que cedo, aparentemente, é desde que a menina passou a ter lugar na Assembleia da República, ou seja, desde Junho de 2011?

Bem, sabemos que Isabel, que como conhecedora de artifícios literários dispensa artigo definido, admitiu ter passado “muitas noites da quarta classe a adormecer com medo, com uma ideia da esperança de vida”, tendo a sua por inútil, “já que fatalmente condenada ao inferno”; o que não sabemos é o motivo que a levou a resignar-se a essa condição de condenada se o cargo de deputada pelo Partido Socialista é voluntário. Talvez porque a penitência leva ao sofrimento ou, em lugar deste, à resignação da condição humana.

Como tantas vezes acontece, e logo aos 14 anos, idade tão susceptível, já se sabe como o corpo muda e tudo, Isabel moveu-se de pecados e culpa para a escola pública, onde ficou “em choque durante um mês”. Tal nunca aconteceria na privada, onde teriam que trabalhar desde o início do ano lectivo. Aí, na escola pública, Isabel encontrou católicos que lhe falaram “pela primeira vez em amor em vez de pecado, em perdão em vez de castigo, em fazer em vez de apenas rezar”. Algures terá posto isso em prática com a descoberta da “acção social” e de “um deus de todos que a todos ama e que a todos aceita” e que, espero, não fosse portador de doenças sérias.

Entretanto, lá está, a vida muda, o emigrante romeno regressa à terra de origem, Isabel chega a deputada e acaba lá, no inferno, a castigar em vez de perdoar, a rezar em vez de fazer, a pecar em vez de amar. Os conhecimentos da escola pública são demasiado perecíveis.

Pequeno-almoço saudável

figo
Pelos Campos do mundo senha e signo
ele não desiste e nunca se repete
e em cada rua é um menino
de camisola número sete.
Pelos campos do mundo seu nome é quem nos diz
ele corre e finta e dribla e com os pés1
pelos campos do mundo escreve outro destino.
Por isso diz-se Figo e é um país
com ele o sonho é português2.

Vice-Presidente da República Portuguesa


1Ler “pêes”.
2Ler “portugüís”

Eu ainda não fiz amor com o Sócrates

Letra e música de Rogério Lério

Estás aí, todo bom
Eu aqui, no Japão
Quero tanto te tocar
Com jeitinho e devagar

Sinto-me tão sozinho
Resta-me este vinho
Fico zonzo de te amar
Sem te poder tocar

Eu ainda não fiz
Eu ainda não fiz
Eu ainda não fiz amor com o Sócrates
Eu ainda não fiz
Eu ainda não fiz
Eu ainda não fiz com o Platão
Enquanto não fizer amor contigo
Tenho que fazer amor quamão.

Eras só tu que eu queria
Isso já eu sabia
Não me passas cavaco
Amor amor amor sou um fraco

Tu não me dás atenção
Partes-me o coração
Tenho tanto pratedar
Deixa-me amor em ti entrar

Eu ainda não fiz
Eu ainda não fiz
Eu ainda não fiz amor com o Sócrates
Eu ainda não fiz
Eu ainda não fiz
Eu ainda não fiz com o Platão
Enquanto não fizer amor contigo
Tenho que fazer amor quamão.

Resumo do prós e contras

Temos que trabalhar todos menos para todos trabalharmos mais

Temos que trabalhar todos menos para todos trabalharmos mais

 

“Eu trabalho com 62 investigadores a estudarem a força de trabalho em Portugal”.

 

Petição para manter os Mirós em Londres

O ministério da cultura britânico não deve permitir que obras relevantes saiam do território nacional assim por dá cá aquela palha. Assim sendo, não crendo que o ministério da cultura britânico seja tão solicito como o aglomerado Canavilhas-Magalhães-Medeiros, não resta outra hipótese que uma petição para que o governo britânico cumpra a sua função como se exige que o português o faça.

Somos todos Miró

Somos todos egípcios.
Somos todos tunisinos.
Somos todos argelinos.
Somos todos iranianos.
Somos todos gregos.
Somos todos cipriotas.
Somos todos sírios.
Somos todos Eusébio.
Somos todos catalães.
Somos todos uma merda.

Venda das raparigas: um texto críptico sobre idiotas

Erzsébet Báthory como ministra da cultura

Erzsébet Báthory foi representada no filme Contes immoraux de Walerian Borowczyk por Paloma Picasso. O pintor seu pai, Pablo, nasceu em Málaga em 1881. Miró nasceu em Barcelona em 1893. A distância entre Málaga e Barcelona é 931 km pelo caminho mais a jeito. O PS anuncia uma providência cautelar para impedir a venda dos quadros de Miró. Gabriela Canavilhas anda/dorme/vai-ao-cinema com Joe Berardo. Joe Berardo tem uma colecção de arte que incluí Picasso (Femmes dans un Fauteuil) e Dalí (White Aphrodisiac Telephone). Em Contes immoraux há uma cena em que uma jovem devota (Charlotte Alexandra) se masturba intensa e religiosamente. Quem vai pagar a indeminização pelo cancelamento do leilão dos Mirós vai ser o contribuinte. Em Contes immoraux, ao menos, fecharam a jovem mastrubadora num quarto.