Preparar a re-rerevolução

Vestirei o meu melhor fato de poliéster, colocarei a bandeira na lapela e um cravo na fechadura. Tocarei o “Ficarei” dos Anjos do iPod shuffle exactamente às 0h00 e comerei um pouco do naco de presunto no frigorífico para amainar as deficiências de ferro.

Estou nu, a barbear-me com a porta aberta, e digo ao biógrafo que o meu sonho é a instauração de um modelo novo de regime político com democracia directa. Fascino-o com a minha ideia de subalternização dos partidos face ao poder popular. A acção negativa da classe política que tem vindo a governar o país levará a circunstâncias que permitam uma alteração profunda disto, para acabar também com a imoralidade da diferença salarial. A classe política não toma consciência da gravidade da situação. Pode mesmo haver uma eclosão social enorme.

Disse às minhas mulheres e repito-o. Eu estou pronto, cabrões. Vamos lá, pá.