A verdadeira democracia dos indignados

Nos anos 80, estava o rádio da família sintonizado numa estação nacional que passava discos a pedido. Era necessário dizer uma frase, frase esta que destrancava todo um mundo de sonoridades entre Valdemar Vigário e o Conjunto António Mafra.

Um ouvinte, democrata, recusa-se a dizer a frase e exige a revolução no formato radiofónico. Usando uma argumentação lógica, colocou o problema da representatividade democrática no formato constitucional da obrigatoriedade da frase e, argutamente, transmite-se via hertziana para toda uma nação com a seguinte declaração:

Passem Marco Paulo, pá. Ou vocês acham que é só meter as paroladas que vocês querem? Isto está tudo minado. Vocês querem é manter o povo estúpido. Eu quero ouvir Marco Paulo.

Hoje em dia não temos líderes. Pessoas capazes de liderar a construção de um mundo melhor através da quebra dos preceitos aceites mas não compreendidos. Aceita-se porque não se compreende; compreende-se o que não se aceita. A verdadeira democracia está nos indignados; é do seio destes que nascerá a liderança para um mundo melhor e playlists racionais.