Prova? Quem nos dera o holocausto

O holocausto teve alguns momentos desagradáveis, alguns dos quais até incómodos e causadores de transtorno para os seus participantes. Em Auschwitz aquilo até era frio antes de vir o aquecimento global que, felizmente, tornou tudo mais confortável nos duches colectivos. De qualquer das formas, mesmo durante alguns do jogos que os convivas praticavam para aquecer, havia amizade entre as pessoas, era um local onde se sabia com quem contar para partilhar um presunto ou um garrafão de verde tinto e as pessoas sorriam, sempre com o máximo respeito. Ontem, na prova dos professores, não houve nada disso: gente que se diz professor a vigiar uma prova? Uma vergonha. Inadmissível. Devia ser proibida tamanha violação dos direitos humanos.

Dois mitos sobre a emigração que importa serem desmontados

Duas malas de cartão numa terra de França
Um Português deixou assim seu Portugal
Como tantos outros, ele não perdeu a esperança
O Português que deixou seu Portugal

Aqui, a noite junto aos seus amigos
Ele procura viver
Lembrando, a sua mulher e seus filhos
Ele canta p’ra esquecer

Ele canta fados tristes e tradicionais
O Português que deixou seu Portugal
E como aqui a chuva p’ra ele é demais
Ele vai pensando ao sol do seu país natal

Enquanto, sua mulher escreve dia a dia
Ele vai pensando em voltar
P’ra ele, a sua melhor alegria
Era seus filhos beijar

Duas malas de cartão numa terra de França
Um Português regressa ao seu país natal
Levando com ele, carinho, amor e esperança
O Português que entra enfim ao Portugal

Em primeiro lugar, não é uma mala de cartão que acompanha o emigrante; o já depauperado português escusa de ser ainda mais humilhado retirando-lhe metade da bagagem: são duas malas de cartão.

Em segundo lugar, há ideias pré-concebidas sobre a pluviosidade nacional que importa desmontar: de acordo com as estatísticas do World Statistics Pocketbook das Nações Unidas, a média entre 1931 e 1960 da precipitação anual em Lisboa é 753 mm, superior aos 650 mm de Paris. Claro, pode o emigrante ter decidido sair de Portimão para Bordéus, algo que lhe validaria a teoria do sol do país natal mas, nesse caso, a comparação está um bocado mitrada já que também se queixaria da chuva se simplesmente tivesse abalado para Vila Real. De qualquer das formas, nenhum ser humano decente oriundo do Algarve andaria a cantar “fados tristes e tradicionais”, isso é um contra-senso reservado a lisboetas e poetas de Coimbra; o resto do país é mais ranchada da boa e alegria, que tristezas não pagam dívidas.

Entrevista a um indignado

Bernard, que o fez tornar-se indignado?
Eu estava noutro ramo, o da imprensa escrita mas, com os cortes e as quebras nas vendas de jornais, percebi que tinha que mudar de vida. Ao início pensei que isto da indignação ia ser temporário, até encontrar algo com mais futuro mas, rapidamente, percebi que esta é uma indústria com muito potencial de crescimento nos próximos anos.

Mas como surgiu esta oportunidade?
Como disse, estava como que entre empregos, sem saber bem o que fazer. Um dia, a minha amiga Fernanda perguntou-me: “olha, porque não te indignas com isto” e foi assim mesmo que comecei.

Fernanda Câncio?
Fernanda Antunes, trabalha numa sapataria.

Ah…
Pois. Mas ao início foi difícil: primeiro porque há muitos temporários, que estão simplesmente a cavalgar na onda de indignação dos outros e, segundo, porque há pessoas que estão na indignação por motivos menos dignos, aproveitando-se da indignação para o cumprimento de uma agenda própria. Por outro lado, como estes se aproveitam da indignação para motivos menos dignos, geram uma nova onda de indignação legítima que merece todo o meu apoio.

Quem são os seus ídolos na indignação?
O Daniel, a Raquel, a Fernanda, a Edite, o José, o João… São tantos…

Oliveira, Varela, Câncio, Estrela, Lello e Galamba?
Não, Rodrigues, Benavides, Antunes, Lisboa e Silva.

Ah…
E o filósofo, cada vez melhor… e o Mário…

Sócrates? Soares?
Não, Armindo Bosco e Mário Domingues.

Ah…
As verdadeiras faces da indignação não procuram a fama.

Vejo que é uma área em que há muita competição.
Pois vê. Vê e vê bem. Foi o que eu disse: há falsos indignados que, sem pensarem no assunto, apenas geram novos indignados.

Como vê os sindicatos?
Vejo bem. São necessários e a única forma institucionalizada de indignação que permite que funcionemos pelos flancos. Estou verdadeiramente preocupado e empenhado com a criação do sindicato dos indignados que, através do subsídio estatal, permitirá legitimar muito do nosso trabalho.

Com quotas?
Sim, um sindicato tem que ter quotas: não podemos discriminar as mulheres.

Não, quero dizer, uma mensalidade?
Ah, isso à partida não, porque é uma forma de opressão ilegítima e usurária sobre a indignação. A indignação é um trabalho como outro qualquer, que deve ser recompensado com um salário justo, que faz muita falta na sociedade.

Como vê as acções de Mário Soares ou os congressos em torno de Rui Rio?
Com naturalidade. É natural que as grandes marcas tentem capitalizar da indignação. Compete-nos a nós, os verdadeiros indignados, assegurar que o monopólio da indignação não é aglutinado pelo sistema capitalista que potencia o crescimento dessas marcas.

Tem planos para 2014
Indignar-me.

Lembrando Brochnyziev

Z.

Cristiano Ronaldo quer ir além da troika

O meu sonho é ganhar um mundial“, diz o jogador consciente que para isso acontecer terá que ir além das 3 outras selecções que compõem o grupo.

Sindicato para assalariados do governo, já!

Estou muito aborrecido por tanta gente me reconhecer como assalariado do governo, em particular por não estar a capitalizar isso da forma correcta de acordo com a minha gerente de conta, que continua com a mania que é preciso um saldo positivo.

Isto de se ser assalariado do governo tem coisas más, digo-vos já. A primeira é que nem pagam e, mesmo que este post os sensibilize para essa problemática, provavelmente nunca o fariam a tempo e horas. Mas também tem outras coisas más: por exemplo, um assalariado do governo é um gajo em pré-desemprego; que idiota vai contratar um tipo para prestar serviço a outro governo depois do ex-assalariado nem conseguir vencer umas eleições ao seu governo, como suposto? Pois é, a um ex-assalariado não resta nada, talvez uma tese sobre tortura e redes sociais, pouco mais.

Mas vai mais longe: um assalariado para emitir opinião do governo é, essencialmente, um funcionário público. É um tipo que recebe do erário público para prestar um serviço, devendo lealdade ao patrão e seu financiador contribuinte (pois, não é bem um funcionário público, percebi a falácia).

Em síntese, isto não é mau. Pessoalmente gosto de ser acusado de assalariado do governo. Permite-me pensar que quem o faz é assalariado da oposição.

Cheque-ensino explicado a “essa gente”

Acrescentei alguns bonecos para não ser muito maçudo.

20131208-180228.jpg

Livrai-nos do cheque-escola. Amém.

Crato Nosso que estais no ministério,
Maldito seja o vosso nome,
Venha a Nós o Nosso orçamento
Seja feita a Nossa vontade
Assim na terra como a ver o mar.
O pão Nosso de cada dia Nos dai hoje
Perdoai os horários-zero
Assim como Nós perdoamos
A quem Nos tem avaliado
E não Nos deixeis chumbar no teste
Mas livrai-Nos do cheque-escola.
Amén.

Ser pai é pior que ser filho

Quando um pai desanca no filho mutila-se mais do que se exalta. Não o faz porque quer ter razão e sim porque espera que com isso a origine na cria. Hoje estou mal disposto porque o fiz, porque tive que o fazer, porque não havia forma de o evitar. Foi para a cama numa versão infantil de “isto não se aguenta”, igual à dos adultos, que são crianças também, embirrentas, mimadas, orgulhosas. Amanhã será outro dia mas, está dito, está dito: o que não se aguentará será o retorno do “não se aguenta”.

Não digam mal da Alemanha hoje que ponho-vos na cama da mesma maneira.

Pá, isto não se aguenta

Já se sabe que isto não se aguenta. Aguentar isto não se aguenta, uma pessoa não aguenta andar aí a aguentar com isto. O pior de tudo é que há quem sabe que isto não se aguenta mas continuam aí a aguentar, como se isto se aguentasse, aguentando coisas que não se aguentam.

Verifique por si só: istonaoseaguenta.org. E mande emails com provas que isto não se aguenta para eunaoaguento@istonaoseaguenta.org.