A casa lisboeta

Há uma casa em Lisboa por onde passam todos os que querem ser aprovados para a tarefa patriótica que consiste em tratar os portugueses como gado. No seu interior, a sopeira-alcoviteira aparenta imunidade ao alho enquanto ajusta o vibrador anal em forma de crucifixo, uma recordação dos tempos áureos a entreter homens de negócios no Mediterrâneo e utensílio que serve para manter em forma a mucosa emissora de opinião. Sempre desejou ser Natália, transcender a mera Cornélia que há em si, por muito que não lhe reconheçam uma existência superior ao servilismo do canal por onde o veterinário enfia o braço. Todos tentam demonstrar que a reverenciam, o que fazem por obrigação: antes uma vida dedicada ao putedo com o ocasional bife que a pasmaceira retrógrada dedicada à continuação da espécie. Está seca por dentro e começa a secar por fora, como qualquer ameixa amarga fora de prazo. O cérebro, que abanou em demasia nos anos 80 sem o devido capacete, agora debilitado pela corrosão da sífilis progressista, já só serve a segunda linha de rameiras, as que ambicionam chegar a ser putas para as putas.

Os convivas vão mudando, ao sabor da disponibilidade de novos gays tenrinhos e trapalhões, apesar do negócio definhar, que a crise atinge todos. Não vai deixar descendência. As mamas descaem, reforçando o ímpeto de sequiosos por maternal aceitação, a que não conseguiram com as mães de sangue, embaraçadas pela culpa do fracasso. Este é um negócio que termina em breve, com a menopausa, ou pouco depois. E, para já, vamos aguentando, que o circo entretém. É que nem é triste: é só o que é. Se passarem por lá, por essa casa em Lisboa que tanto atrai jovens da província em busca de aprovação, digam alguma coisa, a bem da preservação do turismo etnográfico da Metrópole.