Isamor, Isamor, que fizeste à tua vida, filhota?

Isabel (à esquerda). Foto Vip.pt

Isabel (à esquerda). Foto Vip.pt

O que leva Isabel Moreira, ex-aluna do Colégio Mira Rio, dos 3 aos 14 anos, a escrever no Expresso, além da facilidade que o jornal tem para albergar no seu seio empresarial os maiores tolos que criticam o capitalismo enquanto dele se alimentam, quem sabe se para os ter debaixo de olho, que “o ataque à escola pública, esse elevador social que Abril lançou, começou cedo”, sendo que cedo, aparentemente, é desde que a menina passou a ter lugar na Assembleia da República, ou seja, desde Junho de 2011?

Bem, sabemos que Isabel, que como conhecedora de artifícios literários dispensa artigo definido, admitiu ter passado “muitas noites da quarta classe a adormecer com medo, com uma ideia da esperança de vida”, tendo a sua por inútil, “já que fatalmente condenada ao inferno”; o que não sabemos é o motivo que a levou a resignar-se a essa condição de condenada se o cargo de deputada pelo Partido Socialista é voluntário. Talvez porque a penitência leva ao sofrimento ou, em lugar deste, à resignação da condição humana.

Como tantas vezes acontece, e logo aos 14 anos, idade tão susceptível, já se sabe como o corpo muda e tudo, Isabel moveu-se de pecados e culpa para a escola pública, onde ficou “em choque durante um mês”. Tal nunca aconteceria na privada, onde teriam que trabalhar desde o início do ano lectivo. Aí, na escola pública, Isabel encontrou católicos que lhe falaram “pela primeira vez em amor em vez de pecado, em perdão em vez de castigo, em fazer em vez de apenas rezar”. Algures terá posto isso em prática com a descoberta da “acção social” e de “um deus de todos que a todos ama e que a todos aceita” e que, espero, não fosse portador de doenças sérias.

Entretanto, lá está, a vida muda, o emigrante romeno regressa à terra de origem, Isabel chega a deputada e acaba lá, no inferno, a castigar em vez de perdoar, a rezar em vez de fazer, a pecar em vez de amar. Os conhecimentos da escola pública são demasiado perecíveis.