Epifania: as pessoas-merda

As pessoas são uma merda. Não todas, algumas.

Leio críticas a opiniões tão violentas, tão focadas no carácter dos indivíduos e nos seus hábitos, que não me resta outra hipótese senão constatar que existem pessoas que são uma merda. A questão aqui é decidir se este grupo, chamemos-lhe o grupo das pessoas-merda, é composto por quem profere as críticas ou pelos criticados, coisa que, para o efeito deste post, é completamente irrelevante: existem pessoas-merda, ponto final.

Quando se fala em nome do povo, está a falar-se em nome das pessoas-merda ou das que não pertencem ao grupo? A discriminação está lá, existe, é tolerável pelo politicamente-correcto (seria impossível fazer estas separações por sexo, preferência sexual ou cor da pela mas, por pessoas-merda e pessoas-não-merda – outra definição, por exclusão – não parece haver grande problema).

Admito que tenho alguns problemas em poder andar a ler a opinião de pessoas-merda mas, pior que isso, é não saber se as pessoas-merda representam o povo, ou não, precisamente por serem pessoas-merda. Por outro lado, esta divisão na sociedade é preocupante: tornar-se-á necessário substituir cada “o que o povo quer” por “o que o povo-merda quer” e “o que o povo-não-merda quer”, algo que destruirá a hegemonia da representatividade do interlocutor do povo, começando a representar apenas pessoas-merda ou pessoas-não-merda. Podia questionar a moralidade disso mas, não sabendo se eu próprio sou uma pessoa-merda ou pessoa-não-merda, não estaria mais que a questionar a moralidade da minha própria casta.

Este tema merece ser desenvolvido, até porque vou embarcar numa jornada de auto-reconhecimento, porém, deixo-vos com a mensagem essêncial: as pessoas são uma merda. Não todas, algumas.