Carta de agradecimento

Exmo. Sr. Dr. Prof. Eng. Sócrates, M.Phil, Ph.M,

É com muito gosto e estima que remeto a V.E. esta singela apreciação do magnífico trabalho académico desenvolvido por V.E. no âmbito da investigação levada a cabo durante longuíssimas semanas.

A Academia, sempre centrada em si própria, muitas vezes favorece trabalhos desenvolvidos por investigadores e estudiosos que passam décadas centrados nos mesmos problemas, como se a obsessão por um assunto, motivadora de anos anos de pesquisa, estudo, análise, compreensão e estruturação de princípios basilares, indicasse qualquer tipo de qualidade sobre os trabalhos relâmpago escritos por verdadeiros génios, como V.E., numa língua aprendida em menos de três semanas. Por isto mesmo, por esta mentalidade de rebanho académico, trabalhos geniais (modéstia à parte, incluindo os meus), não passam o crivo dessa entidade ditatorial de peer review. Tive um trabalho, “Ensaio sobre ensaios incertos numa cadeia de Markov de conceitos éticos de base Kantiana”, que nem na língua original em que o escrevi (búlgaro) foi publicado. Estou neste momento a traduzi-lo para turco.

V.E. mostrou que a filosofia transcendental pode encher o Pavilhão Atlântico, tal como o Tony Carreira, demonstrando assim a aptidão dos portugueses – tantas vezes taciturnos – para temáticas filosóficas desde que façam sentido prático e apresentem um carácter lúdico, divertido, apelativo, como a tortura.

V.E. merece toda a consideração por publicar comercialmente um livro traduzido de uma tese, já que esta nem sequer se encontra disponível para consulta na biblioteca da universidade. Pedantes, pomposos, estupores filhos da mãe. Quem pensam eles que são? Desde quando a arte académica da investigação artística e ensaio metafísico de fluxo de consciência merece o desdém da Academia? É por isso que a credibilidade do ensino superior está nas ruas da amargura e prefiro ir à bruxa que ao médico.

Muitos parabéns, e votos de, em melhores vírgulas, seja reconhecido o mérito, como já é, certamente, deste magnífico trabalho que mudará a percepção do mundo sobre a tortura, tema deveras vilipendiado, o que permitirá a melhor compreensão do carrasco e o caminho para o fim da discriminação desta actividade, tão nobre como a de bombeiro.

Cordialmente,

Manuel Parreira