O espelho do povo do carro do povo

Partiram-me o espelho do carro. Ficou estacionado perto mas longe (qualquer condutor percebe esta idiossincrasia) da curva. Alguém cheio de pressa e com pouca noção do espaço que ocupa limpou-me o relevo do lado esquerdo do veículo, por acaso correspondente a um espelho.

Nem um papelinho, um cartão de visita, um endereço de email ou um ramo de flores: foi assim, a frio, sem jantar prévio e sem a omnisciência sexual decorrente de um filme do Adam Sandler (se me levarem ao cinema para ver um filme do Sandler, fico disposto a sexo com rinocerontes só pelo alívio de abandonar a sala).

Pior que perder o espelho e ter que o colocar, é saber que esta reparação não é passível de amortização em sede fiscal. Portanto, lamento contribuir para o consumo interno, não foi minha intenção, sou obrigado a reparar o veículo e o estado nem uma t-shirt me dá.

O que me leva à ideia deste post, uma sugestão para os socialistas – o consumo interno pode ser facilmente aumentado se destruírem equipamento das pessoas: vidros e espelhos dos carros ou das casas, aparelhos de ar condicionado, sapatos, roupas, óculos, aparelhos auditivos… Uma miríade de hipóteses para o consumo interno.

O estado e os socialistas agradecem então ao zarolho que esta noite conduziu pela minha rua.