Bombom

Filipe desistiu. Deixou para trás a mulher, os filhos, um emprego estável, os amigos, enfim, divorciou-se da sua antiga vida. Vive agora numa casa precária de um bairro periférico e dedica-se vagamente a escrever um estudo sociológico sobre regulação de blogues. Filipe está doente. O seu mundo interior divide-se entre a obsessão erótica por Manuela, uma antiga especialista em discurso oral, e o ódio aos vizinhos que fazem barulho constantemente e empestam o prédio com o que cozinham. Filipe só come da gamela. Um dia acorda e pensa recordar-se de ter esfaqueado o detestável blogger do lado. Nesse mesmo dia é abordado por dois homens de aspeto duvidoso que lhe batem e anunciam que mais tarde o vão procurar a casa. E como se não bastasse de acontecimentos insólitos, Manuela materializa-se, como vulva real, numa visita inesperada. O que se vai passar – numa acção que transita livremente entre dois planos ficcionais, já que Filipe também trabalha na escrita de um blogue – é totalmente inesperado: talvez uma alucinação de Filipe ou do reitor; uma sequência de acontecimentos próprios de uma zona socialmente problemática; um complot urdido não se sabe onde. E para Filipe, haverá salvação no pós-Passos? Uma coisa é certa: neste primeiro romance de Pola X – rápido, cru, livre de espartilhos formais e cheio de referentes cinematográficos, literários e filosóficos – nada é o que parece.