Macambúzio português

Não sei porquê, estou, com quem quero estar, num dos meus sítios preferidos do planeta e não consigo sentir-me feliz. Talvez sejam as notícias do país, talvez as notícias de casa, talvez a meia-idade, talvez o regresso a casa, talvez a situação desoladora, talvez a incapacidade de levar um dia de cada vez, talvez a necessidade de iniciar algum projecto mais rentável, talvez a melancolia, talvez o Verão (que é a minha estação preferida), talvez a dieta, talvez a tiróide, talvez o desconhecido, talvez o medo, talvez o fim das férias, talvez não ser o fim das férias…

Sinto-me mais português que nunca, sorumbático, macambúzio, alegre e tristonho, fatalista e poeta das desculpas que se atiram para os outros pelas nossas próprias falhas.

Estou cansado deste sentimento, este faduncho de crescendo e diminuendo, desta inquietação, desta solidão acompanhado e deste colectivo sozinho. Crise de meia-idade ou infantilidade fora de época, questionar o rumo e a mortalidade, o desvario constante da perfeição que não alcançamos e das limitações que nem sempre sabemos superar. É a antecipação, o doce sabor do que está para vir, aquele que nunca sabe tão bem como devia, e como devia, nem o que vem se sabe aproveitar.

É um ciclo vicioso, uma inquietação de infância, sempre dolorosa, avassaladora. O tempo que passou, e que não volta, por isso, como lá ficou, é memória, recordação melhor, decerto, que o que foi quando foi.

Pérolas a porcos, talvez. Mais que isso, é querer que seja, o que já não é, e que mesmo que volte, nunca será o que já foi.

E cá se vai andando, insistindo, não desistindo, indo, indo…

É apenas apropriado que me sinta Portugal.