Um comentário sobre interpretações de Merkel

O Miguel Noronha expressa aqui umas notas discordantes com o que foi dito na entrevista de Merkel ao Bild. Na realidade, expressa uma discordância com uma expressão usada por Merkel e duas (ou três) com o paragráfo editorial que tenta sintetizar a entrevista. Em ponto algum Merkel disse que se deve preferir aumentar a competitividade. Aliás, o que diz é muito mais imperativo do que algo indiciando opcionalidade:

Aber im Kern gilt: Jedes Land kann auf Dauer nur von dem leben, was es erwirtschaftet.

O essencial é: Qualquer país, a longo prazo, só pode viver com aquilo que gera.

Jedes Land braucht eine wettbewerbsfähige Wirtschaft, braucht eine industrielle Basis, groß oder klein 

Todos os países necessitam de uma economia competitiva, de uma base industrial, seja grande ou pequena.

Quanto ao “já”, do “a crédito já não serve”, tanto pode ser interpretado como o Miguel interpretou, como pode ser interpretado no caso específico dos países europeus que viram no endividamento a panaceia para o crescimento. No contexto escolheria a segunda opção: se já pensaram que podem crescer a crédito, nem que tal seja possível, agora já não têm crédito disponível. Mas admito o discutível daquele “mehr“.

Wohlstand auf Pump geht nicht mehr, das muss allen klar sein.

Prosperidade a crédito já não serve, isso tem que ser claro para todos.

Se ofendi alguém que compreende alemão melhor que eu – com muito coçar de cabeça – corrijam-me, por favor.