Sou do tempo…

Sou do tempo em que as pessoas diziam que eram do tempo em que algo era diferente. Quase sempre, melhor. Mesmo o pior, soava a melhor, como no sketchFour Yorkshire men“. Quem nunca assistiu a um campeonato de maleitas entre idosos? O vencedor é aquele que aparenta estar mais perto da morte; melhor, aquele que nem se compreende como está ainda vivo. Não tem um saco de colostomizado? – Menino! Quantos AVC teve? – Só três, menino!

O Rui Calafate fez uma posta desses, lusitana, carpideira, lamuriante. Daquelas estatistas, que falam do primado da política, dos valores, da definição entre esquerda e direita, da recusa do centrão e da denúncia do protagonismo de ministros das finanças.

Entendo. Principalmente eu, que sou do tempo em que pessoas diziam que eram do tempo em que percebiam que nunca viam a história a ser feita no momento em que acontecia.