Socorro, estão-me a matar! A culpa é do Gaspar!

A parvónia está ao rubro, agora com a participação da academia, dando a credibilidade necessária ao fenómeno de histeria colectiva. É bonito de ser ver, a sério que é. Mostra bem o quão cada um acha o seu próprio serviço do estado é muito mais especial que o do outro.

PCP, BE e PEV criticam vingança de Gaspar. Notam como PCP e PEV foram separados pelo separador BE, como se fossem dois partidos diferentes nada relacionados, dando a sensação noticiosa de ‘enlarge your penis maranha’, uma forma de amplificação do vergalho? Dá outra credibilidade à coisa, isto do uso da regra de três nomes dos assassinos (Lee Harvey Oswald, James Earl Ray, John Wilkes Booth, Mark David Chapman, Gary Leon Ridgway, John Wayne Gacy, Paul John Knowles…).

Aparentemente, a ideia é cortar imediatamente 600 milhões, o que é descrito como “a ditadura de Gaspar” que “incendiou o país” pelo director de um jornal económico. Bolas, ainda bem que está a chover. A palermice continua com “Vítor Gaspar deveria, é claro, ter avaliado exactamente os ministérios ou serviços públicos que não poderão ser abrangidos por uma medida transversal como esta nem por uma semana que seja“. Mas estes caramelos não sabiam que era para cortar? Estes agentes-responsáveis-do-progresso-conhecimento-e-crescimento-sustentado-que-não-vão-em-filosofias-nem-são-ideólogos-do-aparelho-marxista não orçamentam o essencial? Não orçamentam o papel higiénico? Não orçamentam as cantinas? Não orçamentam a água, a electricidade, os salários, o toner, o papel, as canetas, o combustível, as portagens?… Estes toninhos ainda andam com a mania do diálogo guterrista, como quem acha que é possível engonhar o seu caminho para fora da crise? É patético e altamente deprimente este lambe-botismo dos média ao que o labrego comum quer ouvir.

Soromenho-Marques, à direita

Soromenho-Marques, à direita

Por falar em comuns, Viriato Soromenho-Marques, como qualquer gajo que hifeniza o nome, diz que “Gaspar pertence a uma categoria curiosa de criaturas“, num bonito gesto de disposição por castas,  enfatizando a compreensão com um maravilhoso “[Gaspar] consegue ignorar o mundo ao ponto de criar modelos imaginários extremos, que tendem para delírios conceptuais, desprovidos de quaisquer laços materiais ou emocionais com a realidade objectiva“. É conhecida a capacidade de Soromenho-Marques em não entrar por modelos imaginários extremos ou delírios conceptuais desprovidos de laços materiais ou emocionais com a realidade objectiva. Aliás, Soromenho-Marques interrompeu uma brilhante carreira no circuito de conferências em 2005, 8 meses após a posse do XVII Governo Constitucional e após 25 anos de actividade, para poder pedagogizar-nos sobre ignorância do mundo e criação de modelos imaginários extremos (soa a socialismo), delírios conceptuais (soa perigosamente a socialismo) e desprovimento de laços materiais ou emocionais com a realidade objectiva (soa ao grande sino de Dhammazedi socialista).

Naturalmente, não podemos esquecer o nosso diamante em bruto, Mário Soares, a quem devemos a reverência da democracia que afirma  “que quando não há dinheiro não se paga, como os países da América Latina nos ensinaram. O exemplo da Argentina é, nesse aspeto, paradigmático“. Obrigado doutor Soares, pela magnífica receita, sempre a zelar pelo crescimento da riqueza nos nossos bolsinhos.

Se é para estrebuchar, também consigo:

Socorro, estão-me a violar! A culpa é do Gaspar!