Por muito menos mataram o rei Dom Carlos

O meu tio é emigrante em França e tem como ocupação roubar martelos pneumáticos para vender em Portugal. Faz alguns biscates, com berbequins e lixadeiras, mas o lucro está em ferramentas de ar comprimido.

As políticas de austeridade do presidente Hollande criaram um sério entrave aos pequenos empresários como o meu tio. As obras de construção civil são muito mais escassas e as grandes construtoras usurárias aumentaram substancialmente a presença de capangas. Estes impedem o livre desenrolar das actividades do meu tio e de outros no mesmo ramo de actividade. A espiral recessiva diminuiu as viagens do meu tio a Portugal, reduzindo com isto o rendimento das 6 amantes dispersas pelo norte do país. São menos 17 bocas para alimentar, que por isso sobrecarregam o já esgotado sistema social do rendimento mínimo.

Para agravar a situação, as portagens nas SCUT tornaram financeiramente inviáveis a mobilidade entre as 6 casas e os diferentes casinos ilegais a operarem nos anexos dos ranchos folclóricos onde o meu tio complementava o rendimento. Muitos destes estão agora a fechar, por falta de clientes.

Graças a esta austeridade, 45 pessoas estão sem actividade, engrossando o rol de complementos solidários, insuficientes para as necessidades diárias.

Apelo aqui a que o governo francês volte a apostar em políticas de desenvolvimento e crescimento, nas áreas da reabilitação urbana e construção, criando assim inúmeros postos de emprego trans-fronteiriços.

Já não se aguenta. Por muito menos mataram o rei Dom Carlos.