Pablo, o coração de ouro

Pablo nasceu em Cádiz, filho de pobres emigrantes sírios que encontraram em Espanha a oportunidade de trabalho construindo casas para alemães e ingleses reformados.
Pablo emigrou para Faro, sozinho, trabalhando na recolha de lixo da autarquia. Veio quando a crise matou a construção civil em Espanha.
Pablo Tem um coração de ouro. Conheci-o perto da estação, quando se deu ao trabalho de me dizer as horas. Perguntei se também esperava pelas mães que levavam os miúdos ao infantário, se também era um adicionado de leggings solitárias em busca de alguma atenção matinal. Disse-me que não tinha amigos em Portugal. Contou-me a sua história de luta pungente contra o ostracismo da crise das dívidas soberanas. Contou-me como foi obrigado a deixar Cádiz pelo declínio da construção de casas para alemães.
Vi um coração de ouro ali, perdido, contemplativo, esquecido pela sociedade que o acolheu como mero prestador de serviço que nenhum português quer fazer. Sem um amigo, sem ninguém com quem partilhar as suas preocupações.
Hoje li o Público por isso escrevi este post para que a polícia possa deter Pablo antes que ele coloque as bombas que os corações de ouro sem amigos colocam. Prendam o gajo rapidamente, pela nossa segurança. Tem ar de meio-árabe e fala portunhol. Encontram-o ali perto da estação de Faro. Pré-bandido.

Adenda: muito melhor explicado aqui.