O descurso do método socrático

Quando se menciona, de passagem e sem grande ênfase, ligeiro desagrado pela decisão do Tribunal Constitucional, como reage uma groupie do nosso Descartado1? Quem respondeu “estão a violar-me” ficou próximo da resposta correcta, que no seu original burgesso escorreito se diz “estão-me a violar“.

Ando intrigado com a facilidade com que “esta gente” se ‘sente-se’ violada. Tratar-se-á dum sentimento de troço de couve a tocar o intestino ou será algo mais orgânico, mais cavalar? Decidi que não poderia falar deste assunto sem perceber as sensações que invadem as terminações nervosas destes ‘êh páhs’, por isso fui a Setúbal ver os golfinhos.

O golfinho é um ser afectuoso, recomendado como animal de estimação, o que favorece o desenvolvimento psico-motor das crianças. E as crianças? Quem fala das crianças? É que já ninguém aguenta não se falar das crianças. Então, munido de uma Bota Botilde, fui falar com as crianças. “Olá, meu menino, gostas desta botinha?” é recebido com indiferença, eventualmente por diferentes sensibilidades no contraste do design de artefactos nos anos 80 e na geração pós-dot-com. Achei que havia aqui carne para canhão a investigar, por isso prossegui os meus estudos.

Investigador sério

Investigador sério

A groupie é um gajo que tem a mania que é gaja. Estas coisas são confusas. Para efeitos de compreensão, considere que se trata de alguém que até curte golfinhos à falta de uma baleia bem gorda. Às vezes tenho a sensação que o mundo está ao contrário mas não estou terrivelmente preocupado. O que me preocupa é que vocês se recusam a ver que dão demasiada importância a algumas beterrabas que não têm nada que fazer excepto estragar a Vichyssoise. Entretanto, acho que me perdi no raciocínio, ou seja, estou no bom caminho para que percebam que ainda estou a falar de pilas. Pus-me a pensar sobre vários assuntos que envolvem lésbicas da Palestina e constitucionalidade dos Jimmy Choo  enquanto atiro lombos de robalo pelos troços de couve à fotografia do Cavaco.

É que metade do que as pessoas dizem é metade do que eu não quero ouvir, e isso, ninguém me tira. Quer dizer, é difícil elaborar sobre este assunto porque ainda estou a tentar perceber estes caralhos2 que se metem à frente destes golfinhos. Qualquer pessoa deve usar as argolas que quiser, isso já soa a discriminação. Acima de tudo, é preciso é banir crucifixos que o golfinho quer abortar. A barbatana do tubarão sempre foi uma prioridade para mim, porque sim, e a culpa é do Cavaco, que nem acredito que há dessa gente que vota nele, apesar de serem os mesmos que votam em mim.

Poupo o leitor a este exercício duro de descurso gueixal, sei que alguns de vós até lêem o que as raparigas e o Pintas e Castro escrevem. Desafio-vos, porém, a encontrarem qualquer falácia nos últimos parágrafos. Porque, quanto a mim, descrevem na perfeição os “ai que estão-me a violar-me”.

Portanto, uma imagem vale mil palavras.


1 Se não percebeu a piada do título, receio já não haver esperança para si.

2 Falos, péniseses.