Lambebotismo, um hobby nacional

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Krugman acha que Troika é sádica. Pronto, já está. Alternativas? Hiper-tera-inflação. Não sai disto. Começa a parecer masoquismo que o lembrem deste magnífico (sem ironia) texto ou qualquer outro que contribuísse para que o Nobel lhe fosse atribuído.

O Lambebotismo é um hobby nacional que deve ser cultivado. Muito mais que no golfe ou no birdwatching, devíamos investir todos os recursos incentivando a vinda de turistas que nos lambam as botas. Não há um português que não conheça um lambe-botas. A probabilidade do leitor ser um lambe-botas é terrivelmente alta (particularmente se veio cá parar com a pesquisa “gajas nuas” ou a ainda melhor “quero ver a Merkel nua”). Não se aflija, eu entendo-o. Se não lamber botas para se simbiotizar no espaço corpo-corpo, não há coluna de jornal, blog convidado do Público ou participação como comentador de televisão que aguente (salvo raras e meritórias excepções, a eliminar pelo regime). Até a Bota Botilde era… uma bota. Se não lamber botas terá que admitir com linguagem corporal o quão gregoriante acha a gravata do chefe. Ou o Coiso. Ou pelo menos 3/4 das pessoas que lhe invadem a sala via TV. Ou os sindicatos. Ou a CIP. Ou as ordens profissionais. Ou as corporações. Ou quase todos os políticos. Ou os partidos. Ou quase todos os economistas. Bolas, até o raio da velha de 32 anos da repartição de finanças atiraríamos pela janela depois de uma trancada à bruta em cima do balcão se não existisse o lambebotismo. Mas não, convém lamber as botas. Ou alternativamente exigir que lhe lambam as suas (“sabe quem eu sou?“, “doutor, não: engenheiro“, “estudei eu tanto para isto...”).

Ora bem: colunista Krugman (o professor Krugman é o bom), funcionários públicos, indefectíveis do Tribunal Constitucional, gueixas de Sócras, senhores deputados (e eurodeputadas), trauliteiros em geral e chanfrados em particular, cheguem cá a botinha como se fosse o crucifixo do compasso no dia de Páscoa. Estado laico, my ass.