Indivíduo que se auto-censura

Auto-censura: uma temática que escapa o escrutínio do debate público. O auto-censor fecha-se em copas e não diz o que pensa sobre o putativo assunto, criando assim uma auto-meta-auto-censura. Não é bonito de ser auto-observado.

Pessoalmente, nunca padeci dessa terrível aflição. Ora porque não me interessou falar de um dado assunto, ora porque não me sinto impedido de o fazer, caso me lembrasse de falar sobre o tal assunto, coisa que não me lembro, senão até falaria, se soubesse porquê.

É muito complicado ser um auto-censor. Lutar contra si próprio nas várias sensibilidades antagónicas que motivam a auto-censura, tudo para evitar o choque posterior, porque ao anterior já ninguém lhe vale, que levaria a uma sensação de conflito consigo próprio. O processo é o seguinte:

Auto-conflito leva à auto-censura para evitar auto-conflito.

Isto está, decerto, estudado pelas ‘ciências’ sociais. Deve estar em livros e coisas dessas que os académicos das ‘ciências’ sociais lêem. O professor Boaventura de Sousa Santos deve ter até um observatório da auto-censura. Mesmo assim, ainda dou por mim a perguntar se o que chamam de auto-censura não é mais que o direito a não ser parvo em público. Porque se assim fosse, não só cairia um mito das ‘ciências’ sociais como se demonstraria que estas não são ciências nenhumas.