Esta maneira de falar é complicada

Se o Primeiro-Ministro convida, formalmente, o PS para uma reunião, o PS não a recusa“. Custa muito dizer que a aceita? Estas duplas negativas implícitas são daquelas fugas para a frente que baralham tudo. Ora, se “recusar” é “não aceitar”, “não a recusar” é “não a não aceitar”. Podiam dizer que aceitam, com muito gosto, serem parte integrante do processo de negociação de cortes adicionais na despesa. Podiam, mas isso soaria responsável. É muito mais agradável colocarem-se na posição do não-sei-muito-bem-o-que-é-que-ele-quer-mas-vou-lá-fazer-lhe-a-vontade.

Isto não é ser picuinhas. É relevante tomando em consideração que ainda há 5 dias rejeitava liminarmente mais austeridade e há meio-ano rejeitava ser “muleta” do governo.

Não recusar convites é giro e dá para coisas giras. Por exemplo, eu convidei a Mila Kunis para jantar e desde já adianto que ela não recusou. Entendem os meus motivos em ter grandes expectativas, não entendem?