Entender Brochnyziev é compreender a humanidade inerente às pessoas

Rambo - Imagem tirada daqui

Rambo – Imagem tirada daqui

Há poucos estudos sobre a obra de Brochnyziev, como se o autor não frequentasse os mesmos círculos sociais que um vAlTer hUgO mÃe ou um José Luís Peixoto. Brochnyziev não é homem para se expor além da arte que exulta, indelével, às mijinhas, para o mundo – e que mundo -, meu Deus.

Dotado de uma hermenêutica pós-literária, o estilo da confrontação de Brochnyziev não se compadece com morfologia, sintaxe, semântica ou sequer estilística. Liberto das amarras pan-sexualizadas da rotina conjugal linguística, Brochnyziev perpetua o seu próprio conceito original de “orgia trans-pragmática”, criando fonemas onde apenas existe o vácuo comunicacional.

Por oposição aos escritores tradicionais, é em Brochnyziev que se encontra o sublime moderno, que através da ausência de ideias e por apego ao aleatório, exorta a repulsa pela ordem das coisas pré-estabelecidas ou passíveis de um dia o serem.

vAl.. VaL... vAlteR hUgo mÃe, também conhecido por Valupi - imagem tirada daqui

vAl.. VaL… vAlteR hUgo mÃe, também conhecido por Valupi – imagem tirada daqui

No seu nano-conto “Requiem”, composto por apenas uma palavra, observamos a tendência para o tradicional embebido na contemplação excessiva da problemática da desindustrialização ocidental. Escreve, no parágrafo inicial: “morte”, e assim termina, coerentemente, o conto. Mas haverá coerência em Brochnyziev ou será apenas uma bofetada no conformismo acéfalo da humanidade, formatada para aceitar na palavra escrita o significado imposto pelo dicionário?

Para se compreender a humanidade inerente às pessoas é necessário pensar como uma pessoa. Brochnyziev aperfeiçoa esse sentimento no seu último pico-conto, “P”. Composto apenas de um ponto final, este desafio às convenções sociais – e já best seller no Botswana – transcende a literatura para a contundente geometria descritiva. É neste plano que a humanidade se encontra, no vértice de um ponto dentro de um ponto engolido pela esfera, a esfera da vida, a vida redonda, saltitante, de ricochete em ricochete, tal bala de canhão galáctico.

Não compreender Brochnyziev é rejeitar a compreensão da arte como verdadeira arte da mesmo boa.