Economias de pão e afectos, de subtracção e confrontação

Economia de chocolate e afectos (foto daqui)

Economia de chocolate e afectos (foto daqui)

Esta bela expressão, “economias de pão e afectos, de subtracção e confrontação”, pode ser lida do extenso texto “Como Fazer a Revolução“, no Spectrum. Bem, pão e afectos é algo que me chama imediatamente à atenção, normalmente pela ordem inversa, ou se estiver num dia particularmente javardo, em simultâneo. Subtracção e confrontação é algo que tem muito mais a ver com extractos de cartão de crédito depois do pão e afectos, por isso não entro por aí, não quero expor a minha vida privada.

Nesse belo texto, outra expressão captou a minha atenção: “vontade de construir dinâmicas de sociabilidade fora de uma lógica mercantilista e empresarial”. Consigo simpatizar com isto: a lógica mercantilista e empresarial do jardim onde o meu avô jogava dominó sempre me pareceu destruidora da dinâmica de sociabilidade.

Mas estou a salientar este texto porque o último parágrafo toca-me profundamente:

Não se trata obviamente de opor ao protesto de rua a cantina popular, como a linha revolucionária justa, mas de entender a riqueza e potencial dos fluxos que se estabelecem nos espaços de luta e entre estes e a luta na rua. Trata-se de entender que a recusa do QSLT e de todas as outras instâncias de organização e gestão de protestos, enquanto cadeias de transmissão do jogo político dos partidos e do regime, nos coloca perante a necessidade de imaginar/criar os lugares de irradiação de força, inteligência, sensibilidade e poder contra a austeridade e a organização capitalista das nossas vidas.

É que sempre me pareceu um desperdício não se entender a riqueza e potencial dos fluxos estabelecidos nos espaços de luta e entre estes e a luta na rua. Efectivamente, a recusa de instâncias de organização e gestão de protestos, óbvias cadeias de transmissão do jogo político dos partidos e do regime, obriga-nos a ter que imaginar e criar os lugares de irradiação de força, inteligência, sensibilidade e poder contra a austeridade e a organização capitalista que nos permite ter um blog na plataforma WordPress, uma empresa malvada que constrói dinâmicas de sociabilidade mas, infelizmente, dentro de uma lógica mercantilista e empresarial.