Chicos para o Viriato

Enquanto se lambuzam com os seus subsídios e pensões de cargos públicos, ‘esta gente‘ ignora o quão interessante será gastar os seus Chicos em Londres, Paris ou Nova Iorque.

Como um destes dias alguém apagará estas enormidades da grande barreira de recife digital, vou reproduzir aqui na íntegra para arquivo (destaques são meus):

A enorme pressão sobre o Tribunal Constitucional (TC), por parte do Governo e dos partidos que o constituem, embora ineficaz, revelou como a cultura democrática em Portugal está longe de ter atingido a maturidade. Na verdade, o respeito por uma esfera de jurisdição especificamente constitucional marca a superioridade democrática dos EUA sobre a Europa. No outro lado do Atlântico, a “invenção” de um tribunal cuja competência é a de dar a última e definitiva interpretação sobre a conformidade constitucional de uma lei ou de uma decisão do executivo, data de 1787. Na Europa foi preciso esperar por 1919 para redescobrir a patente de Filadélfia. Mais importante do que a matéria do acórdão propriamente dita é aquilo que ele sinaliza: a dupla e monstruosa metamorfose que esteve na génese deste Orçamento. Como é que a União Europeia, tão abundantemente presente na Constituição (CRP), se transformou numa prisão de povos dominada por um país que, pela terceira vez num só século, se transformou no grande perturbador europeu, e na principal ameaça à estabilidade global? Apesar do artigo 295.º da CRP, a verdade é que os portugueses nunca foram chamados a pronunciar-se sobre um destino que agora os ameaça existencialmente. A segunda metamorfose reside no mistério de um governo que se transformou, por obediência incondicional a Berlim, na principal força de subversão contra o Estado. Os “enragés” costumam estar à porta dos palácios. Em Portugal estão dentro deles. Na verdade, este acórdão é, nos seus limites, também uma prova de vida da III República. O TC a quem os portugueses devem obediência está em Lisboa, e não em Karlsruhe.

Viriato Soromenho Marques, 6/4/2013, in DN.

Afinal quem tem razão? Ah, a razão está aqui.