Big Brother XXXIX (há aqui uma metáfora)

A TVI está a estrear mais uma edição do célebre reality show1, transmitido no horário habitual e com mais ou menos variações da versão original, ela própria uma pretensa versão da realidade; realidade se considerarmos que esta existe quando um grupo de pessoas enclausuradas é observado por estranhos.

Tal como o país, poderia qualquer um concluir. De facto, como país intervencionado, somos participantes num reality show real, com vicissitudes e consequências reais, sujeitos a real avaliação externa, avaliadora da nossa real determinação em vencer o jogo.

Sócrates inscreveu-nos; diz-se, contra a sua vontade – o que não abona a quem se exige liderança. Era inevitável, claro: ao contrário do que agora se quer fazer crer, não faz qualquer sentido capitular uma moeda – que independentemente das suas origens – é o nosso maior elo ao mercado planetário, graças a um dólar transformado em pouco mais que guardanapo descartável2.

Agora, na estreia da edição nº 39 do nosso próprio reality show, a iniciar já no dia 25, transmitido em directo para o mundo pela 3ª vez, há quem pretenda desligar as câmaras e chamar Baco a imprimir o seu próprio vinho. Eu não me inscrevi neste reality show, mas agora que estou cá dentro, não me apetece nada perder.

Tenha cuidado com o concorrente adversário. Quer a todo o custo partir as câmaras. Parece-me batota ridícula: só dará despesa desnecessária à produção, já que o show, esse must go on.


1 Reality Show, expressão curiosa.
2 Ainda é pouco para Krugman, que só ficará satisfeito quando se afogar em impressões esverdeadas do George Washington.