António Pinho Vargas

Eu gosto da música do António Pinho Vargas. É um dos portugueses que merece atenção nas áreas de motivos, composição, execução e arranjo. A sua obra “Tom Waits”, por exemplo, tem uma beleza inerente à simplicidade, algo inatingível fora do romantismo reproduzível com um simples assobio. É pastoral e nocturna em simultâneo. António Pinho Vargas teria coisas interessantes a dizer sobre estes assuntos, tão etéreos como evasivos. Infelizmente – para mim, leitor – opta por publicar uma série de ideias desconexas sobre uma utopia colectivista qualquer, o exacto oposto do que muito da sua obra para mim representa (fluidez, movimento, liberdade).

A Europa da finança esmaga tudo à volta com a força da Wehrmacht. O lado que bloqueia, paralisa e congela toda a situação é ainda mais forte do que o lado que deseja uma mudança (que tende a evoluir para um desejo difuso de uma mudança “qualquer”, fonte de perigos como se sabe). Sinto que descrevo uma guerra à qual só falta ser mesmo guerra. Uma guerra é sempre uma sucessão de horrores. O que se passa hoje é, psicologicamente e não só, como toda a gente sabe, de grande, de enorme violência.

Qual mudança, António? No fim do dia, tudo se resume ao que podemos comprar, incluindo os seus discos. Qual guerra, António? A existir uma guerra, é uma mera guerrilha de rebeldes barulhentos para os quais pagar contas é inaceitável, exigir o que é dos outros é imperativo, e comprar discos (ou equivalentes digitais) é coisa de um passado em que o download gratuito ainda não era direito adquirido.

Quem me mandou parar de ouvir a obra pela experiência menor que é ouvir o artista?