André Freire é um gajo que diz coisas

Em primeiro lugar, vamos todos fixar que “André Freire” designa qualquer sociólogo, antropólogo ou ‘cientista’ social que diga umas coisas. Até se pode chamar Viriato Soromenho Marques ou Svetlana Botapacova.

Não é sobre a incapacidade do André Freire em formular uma ideia coerente que vou escrever. Isso não daria mais que uma linha, no máximo um parágrafo. Quanto tempo podemos passar a elaborar frase sobre frase sem qualquer conteúdo? Esta questão interessa-me particularmente porque acho que há um limite físico a partir do qual toda a vacuidade começa a fazer sentido. No fundo, não deixam o André Freire falar tempo suficiente para que toda a incoerência se transforme numa bela amálgama de nada, cujo sentido está na própria existência e não no conteúdo.

Descartes formulou uma asneira bem evidente com o seu “penso logo existo“. No caso de André Freire (lembre-se do primeiro parágrafo) o lema apropriado seria “existo logo devo pensar, pelo menos espero que sim“. O problema para os portugueses torna-se evidente nesta formulação: André Freire existe, portanto, temos que gramar com o conceito vago de que deve ser capaz de pensar.