A sociedade é má para mim

A sociedade é má para mim. Sinto-me sozinho, incapaz de lidar com o vício putrefacto destes robots que comem, dormem e pinam. Tem que haver algo mais. Há algo mais. Isto não é só isto. A sociedade tem que aprender. É preciso solidariedade. É preciso compreensão. É preciso integração. É preciso amor livre no Parque Eduardo VII.

Neste tempo de víboras, nesta era do pântano de sangue estático das veias colectivas, é preciso acordar do pesadelo individualista, vil pastoreio que nos separa dos espaços corpo-corpo e corpo-espaço. Eu sou um e eu sou dois. O ser interior e o ser exterior desfeito pela amálgama da destruição colectiva, napalm de obediência troikista, homicida da chama de desejo humano.

Tenho um coração de ouro. Mas sofro. Sofro com má circulação e oxidação, mas também com bloqueio coronário da minha própria alegoria. Quem somos? O que queremos? Porque desistimos de nos cortarmos com lâminas que escorrem o sangue da paixão e morte da vida? Sentir. Sentir e doer. Temos que. Já.

Incendiar as amarras e nós próprios, butano-propanar a estaticidade imóvel estacada parada quieta fixa da isonomia. Halial argola em pé aguilhoado, veneno bestial, asqueroso que repugna, impugna a puna peruana. É isso mesmo. Erguei-vos. Levantai-vos. Esticai-vos. Deixai-vos contar.

A sociedade é má para mim. Era abrir um blog ou meter bombas.