A indignação tem piada mas já cansa

O João José Cardoso diz, num post com o título de fina delicadeza “Merkel, a Thatcher espera por ti“, que “um funeral para as duas fica mais barato ao estado”.

Se eu fosse de esquerda, lançaria o alerta xeno-misógino, escreveria dois manifestos e lançaria três a quatro petições. Ameaçaria imolar-me, criaria 10 páginas no Facebook e organizaria várias manifestações-relâmpago1. Não sendo, limito-me a traduzir a declaração de Merkel, “sabemos que vai haver vítimas em muitos países“, para um português mais austeridade-de-intervencionado-pelo-bem:

Se fosse possível – pode ser pedir demais – seria bonito arranjarmos melhor narrativa que “morre!” para manifestarmos o nosso desagrado. Mas, como dizia Mário Soares ao Der Spiegel2 em 1984, “a imprensa portuguesa ainda não se habituou suficientemente à democracia e é completamente irresponsável“.


1 Prefiro o termo “Blitzmanif”, parece-me muito mais apropriado. Também é mais hashtaggable (#blitzmanif) do que #manifestacaorelampago, que gasta logo 21 dos 140 caracteres.
2 “der Spiegel” traduz-se por “o espelho”. O Karma é tramado.