Vocês não enganam ninguém, seus mariconços

Há aí uns parolos que têm a mania que são mais cultos que os outros, que vêem filmes de autor (há filmes sem autor? São geração espontânea?) e – pasme-se – gostam de opera e outras cantorias.

Desistam. Vocês estão a esforçar-se demais e isso nota-se. Desçam do pedestal e tenham hobbies de gente, como atirar caricas do 4º andar quando o seboso baterista do 5º sai pela porta da frente.

Ninguém acredita que um gajo que diz “a Troika não manda aqui” perceba de libretos em alemão ou tenha lido mais que uma página de um livro do Pynchon que alguém decente ofereceu no Natal. Cambada de azevias, no dia em que o Pynchon receber o Nobel dizem logo que preferem Brochnyziev, mesmo sem saberem que acabei de inventar o nome.

Ou o ballet. Mas quem é que no seu perfeito juízo quer ver o enchumaço de um gajo com cenas de lycra? E as gajas nem mamas têm.

É como aquelas abéculas que seguem a moda e ai, as tendências. Mariconços. Qual a variabilidade possível para uma camisa ou um par de calças? Vocês não enganam ninguém com essas coisas e pronto, é só patético. E triste.

Gajo que sabe o que está a fazer não cozinha para as gajas. Gajo que sabe o que está a fazer mete-a na cozinha e vai pôr o disco do Nel Monteiro a bombar no altifalante do telemóvel.

Pior que isso tudo são aqueles pamonhas que acham que impressionam as gajas com falinhas mansas, como se a salmodia não fosse mais que incómoda no trajecto da boîte para a casa dela. Cresçam, pá. Façam-se homens e deixem-se de tagarelices infantis, pá.

Um homem que é homem barbeia-se nu, com a porta aberta, à frente do biógrafo. Um homem que é homem não pergunta à gaja se quer viver com o casal, arrasta-a pelos cabelos se necessário, mas mostra quem manda. Um homem que é homem não negoceia, avança com o tanque e mata esses cabrões todos, sejam eles quem forem. Isso é que é um homem, pá.

E a cambada de mariconços que estará hoje colada ao televisor, a ver o Sócras, em vez de estarem a apanhar ar fresco ou comerem uma maçã, que é o que dá saúde? Acham que o Sócras alguma vez se sentou no sofá a ver o Sócras? Ou olhou para o espelho antes de sair de casa? Ou teve alguém a dizer-lhe se ficava melhor assim ou assim? Gente desta sabe viver, não andam cá com mariquices, a babarem-se por camisas de Nova Iorque enquanto os feirantes deste país se amanham com a fiscalização da ASAE. Sócrates é um homem rude, do campo, da intempérie e do saber popular, da vinha e da tarefa de botar as vacas. Mesmo até nos últimos tempos, há relatos de Sócrates a botar as vacas. Um gajo não esquece.

Gajo que me diga que vai ficar em casa a ver o Sócras, ou leva nas fuças (para alavancar o crescimento do SNS), ou apresento-lhe a minha irmã (para alavancar a economia paralela). E se estais a ler isto até ao fim, deixai também de ser mariconços e ide fazer alguma coisa pelo crescimento.

Tenham um bom dia.