Viriato Soromenho Marques também percebe das cenas

O texto de Viriato Soromenho Marques é ainda melhor que o texto de Manuel Alegre. A ver vamos:

  1. Usa pretérito e presente do indicativo indiscriminadamente, como um catedrático de letras deve fazer: “Quando as tropas norte-americanas libertaram os campos de extermínio nas áreas conquistadas às tropas nazis, o general Eisenhower ordenou que as populações civis alemãs das povoações vizinhas fossem obrigadas a visitá-los. Tudo ficou documentado. Vemos civis a vomitarem“.
  2. Uma análise auto-crítica que revela a modéstia do autor: “a capacidade dos seres humanos se enganarem a si próprios, no plano moral, é quase tão infinita como a capacidade dos ignorantes viverem alegremente nas suas cavernas povoadas de ilusões e preconceitos.”
  3. No presente voltamos a usar o pretérito: “Em 2013, 500 milhões de europeus foram testemunhas, ao vivo e a cores, de um ataque relâmpago ao Chipre“.
  4. E finalmente, o uso da poesia metafórico-taciturna como argumento (note-se o uso do presente seguido de “é apenas uma questão de tempo”, seguido do condicional, seguido do futuro implícito): “as ruínas da Europa como a conhecemos estão à nossa frente. É apenas uma questão de tempo. Este é o assunto político que temos de discutir em Portugal, se não quisermos um dia corar perante o cadáver do nosso próprio futuro como nação digna e independente“.

Não devemos deixar de ouvir Viriato Soromenho Marques, por isso, sugiro já um Prós e Contras para discutir toda esta problemática para não acabarmos a corar perante o cadáver do nosso próprio futuro.