Moção de censura

O texto sagrado da república teocrática portuguesa, com corpo na Constituição da República Portuguesa e espírito na interpretação dos sacerdotes constitucionais, diz que “se a moção de censura não for aprovada, os seus signatários não podem apresentar outra durante a mesma sessão legislativa” (§194¶3)1. Sobre a parte do espírito da Constituição não posso opinar, não a conheço, não sou a Alexandra Solnado2.

Ora, supondo que (tudo hipóteses razoáveis):

  1. O PS não consiga aprovação da moção de censura;
  2. O governo não se demita independentemente do que disserem os Mutaween do Tribunal Constitucional;
  3. O Jorge Sampaio não seja o Presidente da República;

Não estará António José Seguro a meter os ovos todos num cesto? E depois? Dois ou dois anos e meio de “o governo está em fim de vida“? Kristallnacht no partido (outra vez)?

Por outro lado, se toda este raciocínio estiver errado (é que eu não percebo mesmo nada disto), se o governo está mesmo para cair, se não há qualquer hipótese de se manter sequer até ao Verão, se positiva, definitiva, afirmativamente cai já amanhã ou depois ou para o mês que vem, o que estão Pires de Lima e Diogo Feio a conseguir com isto? Ir adiantando as condições da coligação com o PS?


1 Isto escrito assim dá a sensação que parece que sei do que estou a falar.
2 Peço imensa desculpa por esta referência.