Investimento no futuro, esperança de crescimento

De vez em quando recebo emails, em estrangeiro – o que lhes dá bastante seriedade – com propostas irrecusáveis. Sendo uma pessoa que precisa de raios de esperança e de acreditar num futuro melhor, decidi melhorar a minha vida e investir num aumento de pénis.

Sei que estamos em recessão mas, não se pode desalavancar a economia privada assim de repente, como pessoas que pensam sobre coisas nos explicam repetidamente. Sei que um pénis maior alavancará as minhas transacções privada de formas – até agora – inimagináveis e permitirá um crescimento da confiança, quer em mim próprio, quer nas bifas que importarão os meus serviços na Praia da Rocha. Eventualmente poderei expandir-me para o oriente ou para o Brasil, apesar de desconfiar bastante das leis sexuais desses sítios, onde a chichalhada não vai à escola tempo suficiente para pensarem coisas sobre a sociedade.

Uma pessoa não pode pura e simplesmente acabar com o consumo. Podemos ter alguma contenção e não entrar em grandes cavalgadas, que devemos adiar para melhor altura, tais como comboinhos em grupo ou campeonatos europeus de curling sexual. Compreendo isso. Agora acabar com o básico e o essencial é destruir a libido de uma população, chega a escravatura tântrica.

Há pessoas que desconfiam destes programas cientificamente testados. Outros nem sequer são especialistas e acham que gerir isto é o mesmo que gerir umas cambalhotas missionárias bi-mensais com a matrona. Não é. É muito diferente. Eu só sei que estou a passar pela maior depressão desde os anos 30 e ninguém me convence a abdicar da ideia que só saio da depressão com incentivos ao crescimento.

O que é inaceitável é que o Sistema Nacional de Saúde (SNS) não inclua este serviço gratuito. As pessoas não são números e nem todos podem recorrer aos privados e no estrangeiro, como eu. Sempre contribui com os meus impostos e eles não podem guardar tudo para coisas fúteis como as pensões dos velhos. Nenhum velho precisa de aumentar o pénis, não é? Quer dizer, eu sei que é preciso pagar coisas e o estado até tem contas para pagar dos 10 fodódromos e das casas de alterne sem custos para o utilizador. Mesmo assim, quem manda cá somos nós, não é a troika ou os alemães do sexo kinky.