A energia é cara? Não se entende

A energia é cara. Quer dizer, o senhor da Troika disse que era cara e eu, que de economia não percebo nada, tenho que confiar em alguém1. Ora, como o senhor da Troika está cá há mais tempo que o governo e a sua vinda foi consensual (até foi o Sócras que o chamou), vou confiar no que ele diz. Não se assina um “memorando de entendimento” (é mesmo assim) quando as partes não se entendem.

A mim parece-me cara. Com tantas ventoinhas espalhadas pelos caminhos de Portugal, onde vi tanta coisa linda por caminhos sem igual, já devíamos estar a exportar energia cinética para a verde rede transeuropeia, coisa que fomentaria o crescimento, pelo menos da despesa, graças ao maior rendimento disponível. Eu sei que houve um pequeno custo inicial para as ventoinhas mas o Carlos Zorrinho, que é pessoa de bem, garantiu-me que a dependência energética reduziria para 74% em 2020. Sei também que os chineses compraram coisas cá, provavelmente fascinados com a “vocação global” e a “importante massa crítica”, sem ligarem muito ao simples facto de cada factura de electricidade em 2011 conter 14€ para subsidiar a energia verde. Aliás, de acordo com o último link, o Expresso explica-nos que somos burros se não mamamos desse esquema em pirâmide.

Como vos disse, não percebo nada de economia. O gajo que se lembrou das ventoinhas também parece que não.


1 Abebe Selassie é o nome do senhor que a CGTP identifica como “escurinho”. Também me parece mais fácil de escrever (eu tive que ir à Wikipédia).