Nem Body, nem Rice

 

Body Rice

(imagem promocional, “Body Rice”, © Clapfilmes)

 

As recentes notícias da ineficácia do programa alemão que consiste no envio de transviados alienados (politicamente correcto: “jovens em risco“) para terras alheadas da urbe que consome este tipo de notícias, trouxeram à baila um filme pavoroso feito na década perdida da pasmaceira porreirista (pá!) da Barroseira/Socrática, “Body Rice” de Hugo Vieira da Silva.

 

Na boa tradição de famosos assassinos – Lee Harvey Oswald, John Wilkes Booth, John Wayne Gacy, Mark David Chapman – também Hugo Vieira da Silva se apresenta, adequadamente, com três nomes, como que encarnado o papel do assassino do cinema não aleatório.

 

Que este filme é desprovido de sentido, não é difícil de perceber recorrendo apenas às declarações do seu criador (“o Alentejo é especial para mim“; “impulso romântico pós-moderno“; “as minhas personagens são sombras“); a dificuldade é perceber o porquê do apoio da RTP e MC/ICAM a esta banhada. Sendo obrigado a patrocinar – compulsivamente –  a produção cinematográfica nacional, agradecia que o dinheiro fosse gasto com algo que, por si só, apenas pode agradar à classe “esquerdista chic”, esclarecida na abstracção do vazio e fascinada pela ausência de mérito num projecto, algo que interpretam avidamente como “é tão massacrante para a plebe que não percebe nada de cinema tramposo que só pode ser excelente”. A média de 4.6 na classificação do IMDb parece confirmar esta mestria artística que apenas iluminados (de esquerda, sempre da esquerda tola, republicana, feminista e laica) percebem. Mas esta gente não quer abolir as classes?